Você tem que usar droga o rolê todo?



No nosso cotidiano temos a obrigatoriedade de sempre nos apresentar fortes, constantemente enaltecemos as pessoas que absorvem uma maior quantidade de substância e desvalorizamos aqueles ou aquelas que não “aguentam” nos acompanhar no rolê!


Do que isso fala? Somos fortes e invencíveis em tempo integral? Como podemos criar a partir das nossas fragilidades? E o que isso tem em comum com a Redução de Danos?

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Somos mortais – logo, frágeis – expostos e expostas diariamente a perigos físicos e mentais, nos quais fazemos de tudo para esquecer. No entanto, tentamos esconder nossa fragilidade, nossa “essência de vidro”, de nós mesmos e dos outros, sem suspeitar de que ela, na verdade, impulsiona nosso dia-a-dia.


A fragilidade nos aproxima uns dos outros, abre espaço para o cuidado. Dentro do contexto de uso é comum as falas que incentivam extrapolar nosso limite para nos legitimar fortes. “A saideira, até a última ponta etc.”


É importante pensarmos que cada corpo é um corpo singular, não existe uma regra de uso. Uma relação segura e menos danosa de determinada substância está intrinsecamente relacionada ao conhecimento do nosso corpo, seja ele biológico ou emocional, conhecer e acolher esse corpo que nos fala, entender sobre nossas fragilidades, limites, desejos.


Em resumo, você não precisa provar nada pra ninguém, você não é melhor que seu amigo ou amiga porque aguenta mais, você não está em uma competição, você não é pior por que foi o primeiro a ir embora do rolê ou melhor porque não escutou seu corpo e ficou até o final! VOCÊ É carne, mortal, vulnerável, portanto....CUIDE-SE!!!


Como falamos em outro post sobre Machismo, entendemos que é válido ressaltar que quando se trata de consumo de drogas por mulheres é comum que uma série de ressalvas sejam feitas: considera-se “feio” uma mulher bêbada; “arriscado” que ela consuma alucinógenos sozinha; imoral que ela dance despreocupada com as formas do seu corpo sob efeito de algum estimulante. Se tratando de fragilidades, a mulher é vista como sexo frágil e seu corpo é comparado com o masculino(???), como explanado na conversa tóxica da imagem.

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