Nova campanha Antitabagismo do Min. da Saúde prega ABSTINÊNCIA e tem fumaça que fala


Salve família, na paz?

Hoje vamos fazer algumas


pontuações sobre os vídeos, "webséries" que o Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Nacional de Câncer (INCA) , preparou sobre os prejuízos a saúde causados pelo tabagismo. No total, são 8 vídeos de 1:30, ja disponíveis no canal do YouTube do INCA. Confira: https://www.youtube.com/playlist?list=PLGGHoUAM3Mh6PgctlJchhpKuN3S8hNm6D&app=desktop


Cada vídeo aborda uma temática


diferente sobre o tabagismo, com dois personagens principais: a senhora Y e o senhor X, que vivem na "cidade do paraíso" e mostra a relação dos personagens com o tabagismo, retratado em uma espécie de personificação do cigarro. A intenção, segundo o INCA, era transmitir o assunto de forma "leve e lúdica, criando envolvimento e estimulando o interesse das pessoas".


Bom, nossa primeira pontuação é: de nenhuma estamos questionando os prejuízos que o cigarro causa, nem dizendo que não tem potencial de causar dependência, e também não estamos questionando se deve haver tratamento ou não. Somente a forma como foi abordado a temática. Os vídeos colocam o tabaco em forma de personificação, ele está representado como um vilão (a voz nos da uma pista disso) e tenta de todas as formas influenciar os senhores "X e Y" a fumarem.


As drogas, mais especificamente o cigarro, são seres inanimados. Portanto, o segundo ponto que chama atenção são essas encenações, diálogos entre o cigarro e os personagens, onde sugere, na maioria dos vídeos a intenção que o cigarro tem de capturar ou vencer essa batalha. Daí talvez a escolha do nome da cidade onde eles moram: cidade paraíso. Será essa uma cidade sem drogas? Ou pelo menos, uma cidade onde o cigarro "não vence"?


Também se pode notar, que os personagens sempre são retratados com culpa, por estar fazendo o uso do cigarro. Se o cigarro não pode ganhar essa batalha, isso pode nos fazer pensar que quem "perde" é fraco? Culpado? Deve sentir vergonha? Em dívida?


A maioria dos vídeos aborda a abstinência como forma de tratamento, dando dicas do que fazer em relação a fissura, como não agir em determinados lugares, e apenas um dos vídeos aborda questões próximas a redução de danos como, a opção da diminuição do uso de forma gradual, "você pode parar de fumar de uma vez, ou aos poucos", e no momento seguinte dicas de como conseguir isso: "No primeiro dia você fuma a quantidade de sempre, no segundo, diminui 5 cigarros, no terceiro outros 5, e assim até zerar ou a cada dia você atrasa a primeira tragada do dia"


Importante lembrar, que fenômenos tão complexos quanto o uso de drogas, felizmente não se encaixam como uma luva nesse tipo de estratégia. Pois, o uso do cigarro envolve fatores multideterminados, como a vida pessoal do sujeito, sua subjetividade, saúde mental. Portanto, a substituição tem que ser a menos dolorosa possível para o sujeito, e quem tem autonomia para decidir se hoje será menos um cigarro ou cinco, é o fumante. Se o fumante não se sentir autônomo para ir no seu próprio tempo, as chances de sucesso diminuem. E aí a culpa pode se instalar. Pois o tratamento deve respeitar o tempo do sujeito e entender que um comportamento que traz prazer, alívio, conforto, não vai embora sem mais nem menos... É preciso que o sujeito vá adquirindo outros prazeres que não o cigarro, pois o processo não é linear, as recaídas fazem parte do processo e de nenhuma forma o fumante precisa sentir culpa para conseguir parar o consumo.


Vale observar também, que a substituição gradual do cigarro por outras drogas não foram mencionadas. Claro, eu sei o que você está pensando: "o ministério da saúde não ia fazer vídeos falando fumem maconha ao invés de cigarro", claro que não. Mas será que a maconha é a única opção? Há uma possível substituição do cigarro branco para o tabaco orgânico, o kumbaya e até o lúpulo... Toda substituição, mesmo que gradual, causa um sofrimento.


Outro ponto a ser analisado é a lógica econômica apelativa sobre "fumar te ajuda economicamente". Sim. Te ajuda economicamente a gastar menos dinheiro com cigarro e mais dinheiro com...? Balas, comida, café, academia, álcool?


Eai, qual sua opinião sobre os vídeos? Tem uma experiência para contar em relação ao cigarro? Conta para a gente aqui nos comentários.


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