Eventos festivos em tempos de pandemia, é uma boa?

Salve família, na paz?


Já dichavamos por aqui uma ideia sobre Bad trips, ofertamos algumas dicas, embasamos teoricamente o fenômeno, levantamos algumas estratégias de prevenção e esperamos que isso tudo possa de alguma maneira ajudá-los rolê a fora. Mas precisamos falar também dos profissionais que na maioria das vezes de forma voluntária, assumem o cuidado de todes nos rolês. Isso mesmo! Estamos falando dos coletivos de redução de danos que atuam em contexto de festas!


Você já trombou com algum(a) redutor(a) de danos no rolê? Entende a importância de uma equipe de cuidado dentro dos contextos de festas? 



Quando falamos/imaginamos cuidado relacionado à saúde, geralmente visualizamos médicos. Mas o cuidado não se restringe a aplicar medicamentos! Dentro de um contexto de festa são necessários profissionais que também ofertam cuidados de forma humanizada.




Segundo o site Hempadão, no evento da Woodstock, “Em decorrência da necessidade de cuidado das bad trips, por exemplo, foram adotados métodos revolucionários, com o suporte e acolhimento do sofrimento, ao invés da prescrição de clorpromazina para retirada dos sintomas (com possíveis intoxicações). Os produtores de Woodstock contrataram 85 integrantes da Hog Farm, um grupo de hippies bastante organizado, e se basearam na experiência do Hog Farm com as “trip tents” de outros festivais.



Este grupo de psiconautas adotavam o método do “talking down”, isto é, ao invés de optarem por medicações, falavam calmamente com os usuários, assegurando aos mesmos que eles não haviam enlouquecido e que os efeitos da droga em breve passariam (KELLY, 2010). Eles buscavam ''conectar os viajantes à realidade'', a eles mesmos e a relaxar. Os resultados foram muito bons. 


O texto ainda traz resultados satisfatórios em vários outros eventos ligados ao contexto de música eletrônica. É importante lembrar que do Woodstock até os tempos atuais não evoluímos muita coisa em relação a contratação desses profissionais. São comuns festas eletrônicas sem a presença dos redutores de danos devido à falta de regulamentação e outros fatores que dificultam a realização do trabalho, como por exemplo, a mal remuneração, falta de condições ideais e apoio das produtoras e claro, a proibição das drogas.



É normal entre os participantes o desconhecimento sobre os danos e riscos que estão associados ao uso de substâncias psicoativas, bem como a baixa percepção de risco em relação a mistura dessas substâncias num curto período de tempo, que é o que acontece nas festas. É nesse cenário que o(a) redutor(a) de danos atua, por isso é extremamente necessário que ocupem esses lugares.


Mas se estes profissionais são tão importantes em vários contextos, por que não estão em todos os lugares juntos com as ambulâncias obrigatórias em todos os eventos? 


E como podemos mudar este cenário? A ideia deste texto é incentivar os frequentadores e frequentadoras desses espaços a cobrarem dos organizadores a presença desses profissionais, se o estado não exige, vocês podem, além de se sentirem mas seguros e seguras entendendo que existe um espaço reservado e pessoas capacitadas para cuidarem de vocês caso alguma emergência apareça! 


Por fim um alerta, alguns organizadores de eventos estão querendo realizar aglomerações e festas clandestinas em alguns estados do Brasil que ainda não rolou permissão para voltarem com os eventos festivos. Reafirmamos que essa postura além de irresponsável, nada empática com as mais de 125 mil pessoas que perderam suas vidas por conta do vírus, é desumana, perigosa e caminha em sentido contrário do cuidado de si e do outro. Portanto fica o apelo para que em período de pandemia evitem frequentar tais espaços, e quando tudo voltar, cobrem a presença e contem com os redutores e redutoras de danos espalhados por esse país.

32 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo