Conheça as diferenças entre CBD e THC


Desde dezembro do ano de 2019, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a venda de medicamentos à base de cannabis para o uso medicinal, contendo alguns de seus canabinóides. Mas afinal, você sabe o que são canabinóides? Entrando no clima da live de amanhã, vamos nesse post falar qual a diferença entre o THC e CBD e como eles agem no nosso corpo!



Antes de tudo, vamos tentar explicar o que são os canabinóides: “Canabinóides são uma classe de compostos químicos ativos produzidos pela planta cannabis”, é uma substância natural que ativam os receptores (CB1 ou CB2) do sistema endocanabinoide humano (vamos falar sobre isso mais a seguir). Na maconha, podemos encontrar mais de 120 fitocanabinoides, no entanto, as moléculas mais conhecidas e estudadas pelos cientistas são o Tetrahidrocanabinol (THC) e o Canabidiol (CBD), ambas possuem a mesma estrutura molecular (C21H30O2) com apenas uma sutil diferença que faz cada uma ter efeito diferente.


O tetrahidrocanabinol, THC, tem seu elo fechado com um grupo de éster. É ele responsável pela brisa, pelo status eufórico, a vermelhidão do olho e boca seca quando ingerem ou fumam a maconha.



Para os proibicionistas pode até ser visto como perigoso ou errado,usam como justificativa que além de provocar esses sintomas, para pessoas com pré-disposição pode despertar sentimentos de pânico, surtos ou até mesmo desencadear um quadro de esquizofrenia (mas esse é assunto para outro texto). Outros fatores para além do THC também podem ser determinantes. O THC também tem propriedades terapêuticas, são usados em determinados casos por indicação médica, como por exemplo, diminuir as náuseas e ânsias de vômitos em pacientes que estão no tratamento de câncer, estimular o apetite, combater a insônia e também potencializar o resultado de alguns tratamentos em conjunto com o CBD.



Já o canabidiol (CBD), é formado por um elo aberto entre um grupo de hidroxila e outro de alceno, mas o que significa isso? Essa formação química faz com que o CBD não seja psicoativo, não sendo alucinógeno, mas ainda assim agindo sobre o sistema nervoso central. É ele o agente do efeito sedativo, provocando o relaxamento e com grande potencial neuroprotetor, protegendo as células nervosas de superexcitarem, sendo recomendado no tratamento de pessoas com epilepsia, por exemplo. O resultado de pesquisas feitas nos EUA, mostram que o CBD também pode ser usado como um anti-inflamatório de doenças como a artrite reumatoide, no tratamento de dores, de distúrbios psiquiátricos como o TDH, surtos psicóticos, distúrbios intestinais como doença de Chron, disfunção vascular como a arritmia e também, ainda em estudo, no crescimento de novas células cerebrais em mamíferos adultos.


Não podemos pensar que somente o CBD apresenta potencial terapêutico, pois o THC usado de forma recreativa também tem propriedades medicinais. Em 2010, cientistas da Califórnia descobriram que o THC torna o CBD ainda mais potente como substância anticâncer, demonstrando efeitos antitumorais (impedindo o desenvolvimento de tumores) em linhagens de células de câncer cerebral e câncer de mama, mais do qualquer composto isolado. Comprovando que em alguns casos, é melhor manter os canabinoides juntos do que separados, por apresentarem efeitos mais eficientes (efeito entourage).



A interação do THC e CBD no nosso corpo se dá através do sistema endocanabinoide (SEC). “É um conjunto de receptores e enzimas que trabalham como sinalizadores entre as células e o corpo”, o seu papel é como um regulador do equilíbrio para processos fisiológicos, como a fome, nível de energia, humor, metabolismo, atividade imunológica, estresse, entre outros. Ou seja, é um sistema que regula boa parte do nosso bem-estar. Os receptores desse sistema se encontram espalhados por todo o corpo, exercendo tarefas diferentes com o mesmo propósito: homeostase (capacidade do sistema biológico de manter o equilíbrio mesmo em constante alterações no meio externo). O receptor CB1 se encontra no Sistema Nervoso Central, tecido conjuntivo, glândulas e órgãos, sendo estimulado pelo THC. Já o receptor CB2 são encontrados no sistema imunológico e suas estruturas, ativado pelo CBD. Em algumas células contém os dois receptores juntos com funções diferentes.


É válido ressaltar que o sistema endocanabinóide produz os seus próprios canabinóides e podem ser intensificados pelo consumo de fitocanabinóides encontradas nas plantas, como a cannabis. Portanto, o seu consumo em excesso pode deixar o Sistema Endocanabinóide ''preguiçoso'', dependente dos canabinóides encontrados na erva, isto é, as atividades simples como dormir e comer podem passar a serem realizadas somente após fumar um beck. Por essa razão é importante ter o conhecimento das propriedades e efeitos da erva consumida. Para isso, é preciso da ciência e da liberação dos estudos, visto que, no Brasil, somente o CBD é reconhecido como medicamento. O proibicionismo afasta o usuário do acesso ao conhecimento, impede a legalização da maconha e como consequência, impossibilita que outras pessoas que precisam alcançar o medicamento, ou plantar fiquem desassistidas.


Autora: Beatriz Gomes

Estudante de Psicologia

Redatora Dichavando a RD







Fontes: https://www.dichavandoard.com.br/post/maconha-medicinal-e-maconha-recreativa-s%C3%A3o-plantas-diferentes


https://blogdovapor.com/thc-vs-cdb-quais-sao-as-diferencas/


https://canteramed.com/paciente/canabidiol-cbd/


https://www.growroom.net/cbd-canabidiol/


https://hempmedsbr.com/o-que-e-o-sistema-endocanabinoide/


https://blog.cbd360.com.br/diferenca-entre-cbd-e-thc/


https://mundoeducacao.uol.com.br/quimica/thcprincipal-componente-ativo-maconha.htm


https://g1.globo.com/bemestar/noticia/2019/12/03/anvisa-regulamenta-cannabis.ghtml


https://hempmedsbr.com/o-que-e-o-sistema-endocanabinoide/


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