Assiste aí! Baseado em fatos raciais


Uma indicação de documentário da Dichavando para vocês hoje é “Grass in Greener”, no Brasil mais conhecido como “Baseado em fatos raciais”, a tradução do nome foi uma brincadeira bem elaborada, em que a proibição do baseado está associada a questão racial, os negros, como podemos nomear.


Dirigida e narrada por Fred Brathwaite, que ficou conhecido como Fab5Freddy, o primeiro apresentador de um programa de Rap na MTV, contou com a participação de outros músicos que se envolveram com a bandeira da legalização da maconha, tais como Snoop Dogg, Cypress Hill, Run DMC e Damian Marley.


O documentário inicia com dois questionamentos que serão respondidos ao longo: porque a maconha já foi proibida? Porque só agora os EUA estão aceitando? Muitos pontos são postos para responder, porém, vamos destacar algumas que nos chamou atenção.


A maconha era associada a dois grupos minoritários: os negros e suas músicas e aos mexicanos, quando o nome “marijuana” foi popularizado, vinculando a eles. Inicialmente o músico de jazz Cab Calloway, o primeiro que defendia o uso legal da maconha, cantava em suas músicas sobre a onda da erva. Outros cantores de jazz já diziam que fumar a planta deixava a música mais lenta, permitindo a improvisação. Músicos como Fasts Wallace e o pianista Duke Ellington utilizavam maconha como forma de estimular a criatividade.


Acreditavam que a maconha dava um “ar” de superioridade aos negros, se achavam espertos de mais. Quanto as mulheres, as deixavam muito soltas, dançantes, e levavam a prostituição ou seduziam as mulheres brancas, deixando-as viciadas. Hoje percebemos o quanto essas afirmações são absurdas, mas por conta dessas crendices e outras que em 1930 a maconha foi criminalizada, tendo à frente da guerra às drogas o famoso Harry J. Anslinger, que criava a imagem das drogas como uma ameaça pública.


Para Anslinger, os ditos maconheiros eram encontrados nas cidades de Nova York, Filadélfia, Pittsburgh, Detroit e Chicago, com uma maioria da população negra. Com isso, na época, 78% dos negros eram presos por tráficos só em Nova York. No estado de Louisiana, ocorria prisões de usuários negros que possuíam pequenas quantidades de maconha, enquanto os usuários de cocaína, que eram brancos, recebiam tratamento.


A proibição da maconha nos EUA se relacionou com a estigmatização de vários ritmos musicais da população negra, como o jazz, depois veio o reggae e o movimento rastafári representados por Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailler, nos anos 80 e 90 o hip-hop e o rap.

Esses ritmos musicais citavam, narravam a sensação da brisa e criticavam a proibição das drogas, por isso, esses cantores e suas músicas se tornaram populares mundialmente, ao ponto de fazer a população compreender que a proibição estava relacionada ao extermínio dos afros-americanos, fazendo pressão contra o governo.


Tanto que em 2016, veio à tona na revista Harper´s, numa entrevista com John Ehrlichman, ex-conselheiro do presidente Nixon, dizendo que a “guerra às drogas” foi uma mentira inventada para se perseguir os movimentos antiguerra do Vietnã e os direitos da população negra.

Também, com a ajuda da ciência, que veio contradizendo tudo que foi pregado durantes anos sobre a cannabis e seus efeitos, ressaltar o quanto ela tem de positivo do que de negativo, como a descoberta do tratamento de glaucoma.


Sabe-se que nos EUA, 30 estados legalizaram o consumo da cannabis para uso recreativo e medicinal, sendo um negócio lucrativo, já que em 10 anos as vendas legais de maconha podem chegar aos 47 bilhões de dólares. Todo esse lucro, infelizmente atinge somente a população branca, pois, são eles que financeiramente conseguem ter capital para abrir seus próprios depósitos.


Devido a isso, é citado no documentário a respeito da reparação histórica, que por mais de 50 anos a população negra foi o que mais sofreu com a proibição, e quando legalizado, a população branca se beneficia. As pessoas negras são donas de apenas 1% dos depósitos de maconha.


E essa reparação também deverá ser pensada aqui no Brasil, visto que o passado dos EUA se iguala com o presente do nosso país.


E você, já assistiu o documentário e o que achou ?



Autora: Beatriz Gomes

Estudante de Psicologia

Redatora Dichavando a RD

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