Afinal, maconha é boa ou ruim para ansiedade?

Atualizado: 10 de Mar de 2021




No post de hoje, vamos falar um pouco sobre maconha e ansiedade. Vocês já devem conhecer os benefícios da planta e seus efeitos terapêuticos, mas será que conhecem ou já experimentaram sensações desagradáveis com ela? Como já falamos em outro post recente sobre "bad trip", o uso de drogas é complexo e expõe nossas vulnerabilidades. Com a maconha não seria diferente e vamos abordar pontos importantes a serem pensados sobre esse

tema.


Como uma pessoa pode experimentar sentimentos de bem estar, relaxamento, brisa/gastação

e outras ansiedade, medo e sensação de pânico? Como explicar sensações tão opostas em relação a uma mesma planta? Bom, se tratando de saúde mental, que é um tema bastante amplo e considerando o sujeito como bio-psico-social, entendemos que antes de falar sobre os efeitos sentidos no corpo, precisamos levar em conta que somos influenciados por diversos fatores externos e internos, que podem potencializar o que já existe em nós, que foi absorvido ao longo da vida e faz parte da nossa história.





Uma das influências se dá pelo set e setting, que são bastante relevantes ao analisar esses contextos. O set é o ambiente físico, o lugar, as pessoas... E o setting seria o estado em que a pessoa está em relação a sua saúde mental, suas emoções. É fato que algumas pessoas sofrem pré disposições para transtornos ansiosos, e em contato com a maconha, isso pode se transformar em um gatilho para uma série de sintomas indesejáveis como: medo, batimentos acelerados, hiperventilação, hiper vigilância, paranóia, sudorese, inquietação, preocupação excessiva, sensação de morte, entre outros.


É importante lembrar que a ansiedade tem um papel importante na vida de todos nós, como por exemplo para nos ajudar a escapar de uma situação em que é preciso fugir, correr ou também para nos ajudar a antecipar, imaginar, planejar eventos futuros. Aqui, estamos nos referindo a ansiedade excessiva, como transtornos ansiosos, entre eles podem estar a TAG (transtorno de ansiedade generalizada), o TAS (transtorno de ansiedade social), transtorno de ansiedade de separação...


Assim como para esses mesmos transtornos, a maconha pode ter um papel importantíssimo para aliviar a ansiedade, as dores, as tensões... O que diferencia esses casos? Como falamos, além do set, do setting e da pré disposição também deve se considerar o uso, a qualidade, a quantidade e a concentração de canabinóides. Não necessariamente se você tem ansiedade, seu problema "será solucionado" se você acender um beck e fumar. Para algumas pessoas, sim, o uso recreativo pode ser terapêutico e trazer alívio, sem dúvidas. Mas para outras, o consumo poderá ser feito de outras formas, como por exemplo o uso dos óleos concentrados.



Esses óleos podem variar em relação a quantidade de CBD e THC. Pode ser que uma concentração maior de CBD para alguns seja uma boa opção, e o THC em menor concentração atua como potencializador do CBD. Sabemos que no Brasil os óleos não são encontrados de forma acessível e que nem todos tem condições de fazer o uso, e optam por consumir fumando, ou vaporizando... Pois infelizmente a realidade da maioria é o acesso ao prensado. A qualidade da erva também é de grande influência. Outro fator é quantidade, a dose. É difícil dizer a quantidade ideal suficiente para sentir bem estar, por que ainda temos que pensar nos níveis de tolerância do nosso corpo. Mas podemos afirmar que a experimentação e o autoconhecimento do seu próprio funcionamento podem ser importantes para te ajudar a pensar sobre isso.


É claro que, antes de arranjar uma solução imediata para nossos problemas, precisamos nos permitir senti-los e entender o por que estamos sentindo o que sentimos. No nosso mundo extremamente imediatista, procuramos soluções rápidas e práticas para tentar tamponar nossos sintomas, o que as vezes poderia ser uma coisa pequena, acaba virando um grande problema por que somos ensinados a não querer lidar com as nossas questões, a viver sempre "em busca da felicidade plena". Se você sofre de ansiedade, mesmo sem fazer o uso da cannabis, o ideal seria entender melhor suas questões, que também atravessam o uso de drogas, fazendo terapia (você vai dizer o que é terapêutico pra você), procurando ajuda profissional de um psicólogo, e se necessário, de um psiquiatra.



Não é ideal nesses casos colocar na planta a mesma função dos medicamentos: tamponação de sintomas. A causa da sua ansiedade ainda vai estar te afetando, pois o remédio/planta/cannabis não vai abranger a causa. Então se você sofre de ansiedade, seja no nível que for, observe seu corpo, observe o que ele pede, observe seus padrões de uso. Converse com uma pessoa que pode te ajudar, um amigo, alguém que você confie... E se você perceber que a maconha está sendo gatilho para sua ansiedade, diminua a dose, substitua por outra atividade que proporcione prazer. Se você não consegue reduzir o uso, observe então os seus pensamentos intrusivos.


Se estiver passando por isso, ao fazer o uso, pense: O que vem a sua mente quando você fica paranóico ao fazer o uso? Esses pensamentos trazidos para a realidade fazem sentido? Se perceber os sinais, procure fazer o que te faz bem: abrace alguém, abrace seu cachorro, ligue a luz, coloque uma música que você gosta, tome um banho. Cada pessoa é um mundo único e particular, e cada um vai ter um jeito, uma estratégia de redução de danos para lidar com isso.


Procure informações com profissionais ou em fontes confiáveis! Não se auto-medique.

Reduza os danos!

1,346 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo